domingo, 3 de outubro de 2010

Em Quito, brasileiros vão às urnas e opinam sobre a crise no Equador
Ainda sob exceção, país tem 477 brasileiros registrados para votar.
Para comerciante, voto é uma maneira de participar da política do Brasil.
Amauri Arrais
Do G1, em Quito

Três dias após a rebelião policial que fez o governo decretar estado de exceção no Equador, brasileiros que vivem no país foram à embaixada brasileira em Quito neste domingo (3) para votar na eleição presidencial brasileira.


O fato de poder ajudar a eleger o presidente do nosso país, seja ele quem for, é uma forma de participar do desenvolvimento do Brasil”, define a comerciante Maria Helena Rapoles, que vive há 38 anos em Quito e votou pela terceira vez no país.

A tradutora Stela Machado, há 25 anos no Equador, concorda. “A gente ama o Brasil e quer participar da política.” Sobre a política no país, que disse acompanhar diariamente pelos canais internacionais e sites de notícia, ela espera que o pleito traga mudanças.


Brasileiros votam em Quito neste domingo (3). (Foto: Amauri Arrais/G1)“Espero que o ganhador seja sobretudo um promotor da paz e de princípios morais. Tem muita corrupção atualmente no Brasil. Um país tão lindo, mas com tanta deliquência”, lamentou.

O casal catarinense Rollins e Daiany Mahlke, no país há 10 anos, foi à embaixada acompanhado do filho Luan, de apenas 3 anos, nascido no Equador. “A participação é muito importante, um voto pode fazer diferença.”, disse ela. “Acho que essa eleição em especial vai fazer história por ser uma mulher que provavelmente ganhe”, afirma o marido.

Filha e brasileiros e nascida no Equador, a estudante de engenharia Fernanda Sanchéz, de 22 anos, compareceu à urna pela primeira vez. “Acho muito importante que nós que temos dupla nacionalidade possamos votar. Todos que se importam com o Brasil e a situação dos familiares que vivem lá deveriam fazer o mesmo.”

Crise
A respeito da crise provocada pelos protestos de policiais e militares no país, insatisfeitos com uma lei que retira benefícios da carreira, a estudante acredita que o presidente equatoriano, Rafael Correa, tem sua parcela de culpa. “Era um pouco óbvio que aconteceria algo assim. Ele [Correa] provocou os policiais e também é responsável”, disse.

Para a comerciante Maria Helena Repoles, que contou ter tido de fechar a loja de pedras brasileiras que mantém em Quito na quinta devido aos distúrbios, a “atuação do presidente” foi uma das principais razões que desencadearam “o que inicialmente era apenas um protesto”. “Estamos acostumados com a subida e descida de presidentes, mas desta vez assustou porque não sabemos até onde vai o problema.”

Já o catarinense Rollins Mahlke acredita que o “mais importante foi que o governo perdeu uma oportunidade de mostrar sua autoridade”. A tradutora Stela Machado crê em “manipulação” dos policiais que se rebelaram.


Lista de candidatos à Presidência afixada em parede do prédio da Embaixada do Brasil no Equador, em Quito, neste domingo (3). (Foto: Amauri Arrais/G1)Apuração
Segundo a Embaixada do Brasil no Equador, 447 brasileiros de uma comunidade de cerca de 600 que vivem no país, se registraram para votar neste domingo. Até o meio dia (14h de Brasília), pelo menos 150 já haviam passado pela seção eleitoral, a única no país.

Para o embaixador Fernando Simas Magalhães, que assume as funções de juiz eleitoral durante a votação, a tranqüilidade que se estabeleceu em Quito, “depois dos dias agitados que tivemos”, deve estimular uma participação dos brasileiros. A votação se encerra às 17h (19h de Brasília) e os dados serão transmitidos eletronicamente.

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